O sistema visual da criança amadurece durante os primeiros anos de vida e por isso os óculos podem ter papel fundamental para que o desenvolvimento da visão ocorra da melhor forma possível.
Sim, devemos ficar atentos para alguns sinais. Os principais são apertar ou arregalar os olhos para ver melhor, desinteresse pela leitura ou falta de concentração, aproximar-se dos livros ou da televisão e aparecimento de estrabismo (desvio dos olhos). Pode haver também dificuldade para identificar objetos distantes, dor de cabeça aos esforços visuais e olhos constantemente vermelhos ou lacrimejando.
Há crianças que precisam de óculos desde os primeiros meses de vida; outras no início da idade escolar. Algumas crianças iniciam o uso dos óculos na fase da alfabetização; outras só durante a adolescência. A prescrição de óculos tem como objetivo promover boa acuidade visual, prevenir e tratar estrabismo, assim como aliviar os sintomas relacionados à falta dos óculos.
Na criança existem três tipos de erros de refração (ou tipos de grau): hipermetropia, miopia e astigmatismo. O olho apresenta duas lentes: córnea e cristalino, que devem em conjunto focalizar a imagem na retina. A nitidez da imagem vai depender do poder de convergência da córnea e do cristalino, bem como do tamanho do olho. Quando um erro de refração está presente, a luz que entra pelo olho não forma uma imagem nítida na retina.
A maioria das crianças tem hipermetropia de baixo grau, que é considerada normal e diminui com o crescimento. Para manter boa visão para longe e principalmente para perto, a criança hipermétrope precisa manter o esforço de acomodação pela contração da musculatura ciliar para que os raios de luz incidam na retina.
Se esse esforço for exagerado, leva à sensação de peso nos olhos, ardor, dor de cabeça e lacrimejamento, sintomas que se manifestam principalmente à leitura de perto. Quando a acomodação não é suficiente para compensar um alto grau de hipermetropia, a visão fica comprometida. A criança que tem sintomas causados pela hipermetropia torna-se desinteressada por atividades que exijam percepção acurada como leitura e trabalhos manuais e após algum tempo em sala de aula, logo se distrai.
A miopia, em geral, manifesta-se ao redor dos 7-8 anos de idade. Nessa fase, o crescimento da criança pode ser acompanhado do aumento do diâmetro do olho, fazendo com que a imagem incida em um ponto anterior ao plano da retina. O míope, ao contrário do hipermétrope, não dispõe de mecanismos para focalizar a imagem na retina, e para conseguir uma boa visão, aproxima-se do objeto de interesse. O esforço visual para interpretar as imagens e também o esforço muscular quando aperta os olhos para tentar ver melhor, levam a dor de cabeça e desinteresse por atividades que precisam de visão acurada para longe. Algumas crianças até passam a evitar brincadeiras ao ar livre.
O astigmatismo é determinado por curvaturas diferentes entre os dois meridianos principais da córnea ou do cristalino, fazendo com que os raios de luz, que passam por esses meridianos não incidam no mesmo ponto na retina. A imagem focada é distorcida porque quando as linhas verticais são vistas com clareza, as horizontais não são ou vice-versa. A criança com astigmatismo pode apresentar acuidade visual deficiente para perto e para longe nos graus altos. Ardor, olhos vermelhos e dor de cabeça são desencadeados por esforço visual nos astigmatismos moderados.
Adaptado de:
Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica www.sbop.com.br
American Association for Pediatric Ophthalmology and Strabismus: www.aapos.org
O processamento visual no bebê é um tema fascinante que destaca como o sistema visual humano se desenvolve desde os primeiros dias de vida. Esse processo é essencial para a percepção do mundo e para o desenvolvimento neuro cognitivo.
Primeiras Semanas de Vida
Primeiros Meses (0-6 meses)
Segundo Semestre de Vida (6-12 meses)
Fatores que influenciam o Desenvolvimento Visual
Importância do Acompanhamento Oftalmológico
O primeiro exame oftalmológico deve ser realizado ainda no primeiro ano de vida, especialmente em casos de risco, como prematuridade ou histórico familiar de doenças oculares. A detecção precoce de problemas visuais garante que o bebê tenha um desenvolvimento visual adequado.
Baseado em:
BabySee infant vision simulator by Rebiscan
A principal causa de coceira nos olhos é a alergia ocular ou conjuntivite alérgica.
Alergia pode ser mais do que espirros, congestão e coriza, quando os olhos também sofrem.
A alergia ocular é uma condição médica que afeta 6 entre 10 pacientes alérgicos. Não é uma doença contagiosa, mas pode causar um grande desconforto e irritação nos olhos. Esfregar os olhos constantemente, sintoma que normalmente acompanha as alergias oculares, pode levar a problemas oculares mais sérios como alteração da curvatura da córnea da criança.
Os olhos disparam uma reação alérgica quando entram em contato com alérgenos ou substâncias às quais são sensíveis. Apesar de haver vários tipos de alérgenos, há alguns que são muito comuns:
Pólen – Árvores, flores, grama e ervas liberam pólen no ar, que é carregado pelo vento. Quando a contagem de pólen é grande, normalmente durante a primavera e o outono, os quadros alérgicos são exacerbados.
Mofo – Assim como o pólen, esporos de mofo são liberados no ar. Externamente, os esporos de mofo podem ser encontrados na grama, folhas e feno. Internamente, desenvolvem-se em ambientes úmidos, tais como banheiros.
Pelos de animais – Pelos particularmente de gatos e cachorros podem causar alergias. Fragmentos de pelo e mesmo da pele dos animais podem permanecer no ar da casa e ficar aderidos em móveis e tapetes.
Outros alérgenos comuns incluem ácaro de poeira, poluição e cosméticos.
O mais importante é minimizar a exposição aos alérgenos, mas nem sempre é suficiente. Colírios lubrificantes ou lágrimas artificiais ajudam a eliminar ou pelo menos diluir o alérgeno e diminuir a reação alérgica. Colírios gelados proporcionam um alívio ainda maior. Compressas geladas também ajudam a evitar a coceira.
Medicações muitas vezes são necessárias para o controle do quadro. O oftalmologista determina se o tratamento deve ser feito com antialérgicos em forma de colírios ou via oral, ou as duas vias combinadas. Alguns casos só são bem controlados com colírios que tem um componente anti-inflamatório. Algumas dessas medicações podem ter efeitos colaterais, por isso o tratamento deve ser monitorizado pelo oftalmologista.
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O uso prolongado de dispositivos eletrônicos, como computadores, smartphones e tablets, tornou-se parte da nossa rotina diária. Embora esses dispositivos ofereçam muitas comodidades, é importante estar ciente dos impactos que o uso excessivo pode ter sobre a saúde ocular como fadiga ocular, miopia, distúrbios do sono e sedentarismo, além de expor as crianças a conteúdos inadequados. Portanto, um equilíbrio entre o uso de tecnologias e atividades offline, como brincadeiras ao ar livre, leitura de livros e interação social, é essencial para o desenvolvimento saudável da criança.
1. Síndrome da Visão no Computador (SVC)
A Síndrome da Visão no Computador é um conjunto de sintomas que afetam os olhos e a visão devido ao uso excessivo de telas. Os sintomas mais comuns incluem:
A SVC ocorre porque, ao olhar para a tela, tendemos a piscar menos, o que reduz a lubrificação dos olhos e pode causar desconforto.
2. Fadiga Ocular
Passar longas horas em frente a uma tela pode sobrecarregar os músculos oculares, causando cansaço. Isso ocorre porque, ao olhar para um dispositivo, o olho precisa ajustar o foco constantemente para visualizar conteúdos em diferentes distâncias. Com o tempo, isso pode levar à fadiga ocular, resultando em dor e desconforto.
3. Olhos Secos
O uso prolongado de telas reduz a frequência com que piscamos, o que dificulta a distribuição de lágrimas sobre a superfície ocular. Isso pode resultar em uma sensação de “olhos secos”, coceira e irritação.
4. Dificuldades para Dormir
A exposição excessiva à luz azul emitida pelas telas pode interferir no nosso ciclo natural de sono. A luz azul reduz a produção de melatonina, o hormônio responsável por regular o sono, tornando mais difícil adormecer e afetando a qualidade do descanso.
5. Aumento da Miopia
Estudos indicam que o uso excessivo de telas pode contribuir para o desenvolvimento e agravamento da miopia, especialmente em crianças e adolescentes. O esforço constante para focar em objetos próximos pode levar a um aumento na necessidade de correção visual.
Como Proteger Seus Olhos?
Aqui estão algumas dicas para reduzir o impacto do uso prolongado de telas e proteger sua visão:
1. Fazer intervalos de descanso durante o uso de telas, se possível em atividades externas.
2. Piscar com mais frequência: Lembre-se de piscar regularmente para manter os olhos lubrificados.
3. Ajuste a iluminação: Evite brilho excessivo nas telas e ajuste a iluminação do ambiente para minimizar o desconforto visual.
4. Ajuste a posição da tela: Mantenha a tela ao nível dos olhos, a uma distância confortável, ao redor de 50 cm, para reduzir a sobrecarga ocular.
5. Use filtros de luz azul: Muitos dispositivos agora vêm com configurações de redução de luz azul principalmente à noite, para não atrapalhar o sono.
6. Consultas regulares: Realize exames oftalmológicos periódicos para monitorar a saúde dos seus olhos e detectar erros refrativos ou qualquer problema precocemente.
Recomendamos o bom senso para modular o uso destes aparelhos, intercalando com atividades ao ar livre. Contudo, é importante não demonizar esses estímulos pois quando utilizado de forma controlada e pedagógica, o uso da internet no celular ou tablet pode proporcionar à criança escolar acesso a um vasto conteúdo educacional, fomentar o desenvolvimento de habilidades digitais e estímulos à criatividade e autonomia, preparando-a melhor para os desafios do futuro.
O piscar mantém a lubrificação da superfície dos olhos, permitindo boa qualidade de visão com conforto. O reflexo de piscar protege os olhos de corpos estranhos, luz forte, além de nutrir e limpar os olhos, direcionando as lágrimas para o seu sistema de drenagem. A frequência do piscar em recém-nascidos é de aproximadamente 2 a 3 vezes por minuto e aumenta com o crescimento, chegando a aproximadamente 10 a 15 vezes por minuto na adolescência, mantendo-se assim na vida adulta.
É o piscar em alta frequência, em padrão que não parece normal, podendo envolver um ou ambos os olhos. Pode se manifestar com a intensidade de um piscar normal ou com mais força que o esperado para um fechamento suave dos olhos. Algumas crianças podem manifestar tiques associados ao piscar excessivo, como movimentos da boca, nariz, cabeça ou pescoço.
O piscar em excesso pode ter diferentes causas. Pode ser um sinal de algum problema na superfície ocular, nos cílios ou nas pálpebras. Em algumas crianças, está relacionado ao aparecimento ou aumento de grau para óculos, ou também a um quadro de estrabismo intermitente. Além disso, pode ser causado por situação de stress ou aparecer associado a tiques. É muito raro o piscar excessivo estar relacionado a doença neurológica.
O exame oftalmológico permite determinar se a causa do piscar excessivo é um arranhão ou corpo estranho na cornea, cílios que possam estar encostando no olho, ou mesmo um quadro de ressecamento ocular. Exames para avaliação de estrabismo e grau para óculos também são feitos para investigar o motivo do piscar.
O tique pode ser causado por stress, cansaço excessivo ou outras causas não reconhecidas. Ocorre, em geral, simultaneamente nos dois olhos, em meninos duas vezes mais que em meninas, e em média, por volta dos cinco anos de idade. Trata-se de condição benigna na maior parte dos casos, não precisando de tratamento ou avaliação neurológica e com resolução espontânea. Se outros tiques estão associados ao piscar, a avaliação com o neuropediatra é indicada.
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A dilatação das pupilas durante o exame oftalmológico tem dois objetivos principais. O primeiro é permitir a visualização das estruturas de dentro do olho (como a retina e o nervo óptico) para diagnosticar e tratar doenças oculares. O segundo é relaxar o músculo do olho que focaliza a imagem para obter a medida acurada da refração (medida do grau para óculos).
Existem dois tipos de colírio para dilatar a pupila. Um deles estimula a contração dos músculos que dilatam a pupila e o outro relaxa os músculos que fazem a pupila contrair e focalizar a imagem. Os dois tipos são usados, frequentemente, em conjunto.
A maioria dois colírios arde um pouco imediatamente após a aplicação, com melhora logo após alguns segundos. Em alguns casos, colírio anestésico é colocado antes do colírio da dilatação para dar mais conforto.
O efeito dos colírios usados para o exame de dilatação dura de 4 a 24h, dependendo do tipo e combinação que foram usados. O efeito é, em geral, mais prolongado em crianças de olhos claros (azul, verde, cor de mel) do que em crianças de olhos escuros (marrom). Um colírio mais fraco é usado em recém-nascidos e bebês prematuros.
Existem colírios diferentes para dilatação que são usados no tratamento de algumas doenças oculares, como ambliopia (olho preguiçoso) e processo inflamatório ocular.
O efeito desses colírios pode durar de poucas horas até duas semanas.
Os principais efeitos observados são o borramento visual, principalmente para ver de perto e o aumento da sensibilidade à luz. Ambos desaparecem gradualmente após algumas horas. O uso de óculos de sol após o exame alivia a sensibilidade à luz. Algumas crianças, principalmente as pequenas, podem apresentar rubor facial, que regride espontaneamente. Reações alérgicas são incomuns e incluem olhos vermelhos e inchaço das pálpebras. Outros efeitos colaterais são raros.
Sim, a criança pode voltar à escola após o exame de dilatação, mas os professores devem ser avisados de que a visão poderá estar embaçada, principalmente à leitura.
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Ambliopia é a diminuição da visão em um ou ambos os olhos causados por falta da estimulação visual adequada durante a infância. Em geral, não há nenhuma alteração evidente no olho comprometido, mas há diminuição da visão por um problema nas vias que conectam os olhos ao cérebro. Esse problema pode ser causado por qualquer obstáculo ao desenvolvimento visual normal da criança.
Sim, ambliopia é a causa mais comum de perda visual tanto em crianças, como em adultos jovens. Por isso, temos que detectá-la e tratá-la o mais rápido possível.
Ambliopia pode ser causada por estrabismo (olhos desviados), diferença de grau entre os olhos, graus altos nos dois olhos ou alguma doença ocular que impeça o desenvolvimento normal da visão.
Sim, quando o exame detecta que a criança apresenta grau, o uso dos óculos terá papel importante no tratamento. Na maioria dos casos, entretanto, tratamento complementar além dos óculos será necessário.
A criança que tem ambliopia usa o olho bom e deixa de lado o outro olho, ou seja, um dos olhos não é estimulado e assim não aprende a enxergar. A oclusão do olho bom usando o tampão estimula o desenvolvimento visual do olho preguiçoso e assim melhora a visão. O tratamento com tampão funciona muito bem na maioria das crianças se for iniciado precocemente.
Em alguns casos, como alternativa ao tampão, é usado um colírio que borra a visão no olho bom para estimular a visão do olho preguiçoso. O oftalmopediatra avaliará qual o melhor tratamento baseado no exame da criança.
Não há cirurgia para ambliopia. Cirurgia é realizada para alinhar os olhos ou para tratar doenças associadas à ambliopia.
Algumas crianças podem manifestar sinais que despertam a atenção dos pais, como desviar os olhos ou colocar os objetos muito próximos para ver melhor. Por outro lado, algumas crianças que apresentam ambliopia não chamam a atenção dos pais ou do pediatra pois têm os olhos alinhados e aparentam enxergar bem. Isso acontece principalmente nos casos em que só um dos olhos precisa de grau, e a criança manifesta comportamento visual normal às custas do olho bom. O exame ocular é importante para que casos de ambliopia não passem despercebidos durante o desenvolvimento visual infantil.
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O torcicolo ou posição anômala da cabeça ocorre quando a cabeça está posicionada de forma desviada da posição normal em frente. Essa posição anômala pode ser com o queixo elevado ou abaixado, ou com a cabeça rodada ou inclinada para os lados. A criança pode manifestar essa posição sempre ou só durante as atividades de maior concentração visual. A origem do problema pode ser nos olhos ou ter outras causas.
Sim. Quando o pediatra não encontra causa evidente para o torcicolo, uma avaliação oftalmológica deve ser solicitada. O oftalmopediatra avalia se a criança apresenta problemas oculares que possam estar levando à posição anômala da cabeça. Os principais são estrabismo, nistagmo, grau para óculos e ptose.
Algumas crianças apresentam uma forma de estrabismo que se modifica de acordo com a posição do olhar. Muitas vezes sem perceber, a criança desvia a cabeça de modo a colocar os olhos na posição que proporciona melhor alinhamento dos olhos, e assim, melhor qualidade de visão. Essa posição, às vezes, é a única em que olhos se mantém alinhados.
Alguns tipos de nistagmo (movimentos oculares involuntários) também podem variar de acordo com a posição do olhar. A intensidade do movimento ocular diminui em algumas posições ou o nistagmo pode até desaparecer. A criança procura mover a cabeça para buscar essa posição, onde é possível enxergar melhor.
Crianças que precisam de grau para óculos, em geral graus altos, podem desviar a cabeça para buscar uma posição em que o grau não corrigido não atrapalhe tanto a qualidade da visão.
Quando a ptose (pálpebra caída) atrapalha a visão, a criança pode adotar uma posição de cabeça com elevação do queixo para tentar ver melhor.
Não. Muitas vezes a cabeça é mantida em determinada posição anômala para obter melhor visão. Enquanto se aguarda o tratamento definitivo, a criança não deve ser desencorajada a adotar essa posição, mesmo que tenha que desviar bastante a cabeça para ver melhor.
Sim, a maioria dos casos de torcicolo de causa ocular tem tratamento. Cirurgia nos músculos oculares, cirurgia para ptose, prescrição de óculos e uso de prismas (lentes que desviam a imagem) são as principais opções de tratamento.
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Uma das preocupações mais comuns em relação à saúde ocular dos pequenos é o alinhamento dos olhos. Muitos pais se perguntam se os olhos do filho estão “tortos” ou se é apenas uma impressão. Vamos entender melhor a diferença entre estrabism e falso estrabismo.
Estrabismo é o desalinhamento dos olhos, ou seja, quando os olhos não estão voltados para a mesma direção ao mesmo tempo. Isso pode acontecer de forma constante ou intermitente. Algumas características incluem:
Se notar qualquer um desses sinais, procure um oftalmologista, pois o diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações, como a ambliopia (olho preguiçoso).
O falso estrabismo é mais comum em bebês e crianças pequenas. Ele ocorre devido a características anatômicas, como a presença de uma prega de pele no canto interno dos olhos (epicanto) ou um nariz mais largo, que podem dar a impressão de que os olhos estão desalinhados.
A boa notícia é que, na maioria das vezes, o falso estrabismo não necessita de tratamento, pois é apenas uma ilusão de ótica. Porém, é fundamental que um oftalmologista confirme o diagnóstico para garantir que não há problemas subjacentes.
Seja estrabismo ou falso estrabismo, a avaliação de um oftalmologista é imprescindível. Diagnósticos precoces garantem tratamentos mais eficazes e evitam problemas futuros. Portanto, se tiver dúvidas, não hesite em buscar ajuda profissional.
A visão dos nossos pequenos é preciosa e merece toda a atenção!
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Estrabismo é a falta de alinhamento entre os olhos. Um dos olhos pode estar desviado para dentro (esotropia), para fora (exotropia), para cima (hipertropia) ou para baixo (hipotropia). O desvio pode estar presente sempre ou a criança pode alternar entre episódios de olhos alinhados e estrabismo. O olho que desvia pode ser sempre o mesmo ou pode haver troca entre os olhos.
O estrabismo não é raro em crianças e em geral resulta de um problema no controle do movimento ocular. A via responsável por esse controle tem início no cérebro, seguindo pelos nervos e atingindo os músculos oculares. Pode haver um componente familiar, no qual vários membros da família tem um problema semelhante, ou pode aparecer em crianças sem nenhum histórico familiar.
O tratamento do estrabismo tem como objetivo promover o alinhamento para que os dois olhos apontem para a mesma direção e possam trabalhar juntos.
Existem diferentes formas de tratamento, que podem ser indicadas individualmente ou em conjunto, dependendo do tipo de estrabismo:
• Prescrição de óculos de grau que neutralizam o desvio ocular.
• Óculos com prismas, que são lentes que desviam a imagem para a posição adequada na retina para aliviar o sintoma de diplopia (visão dupla).
• Prescrição de exercícios para fazer em casa, indicados em alguns casos específicos de estrabismo.
• Injeção de medicação nos músculos oculares para promover o alinhamento.
• Cirurgia de estrabismo.
Uma pequena abertura é feita na conjuntiva (membrana que recobre o olho) para acessar um ou mais dos seis músculos oculares. Os músculos são, então, reposicionados na parede do olho, com procedimentos para fortalecê-los ou enfraquecê-los, de modo a obter um novo equilíbrio de forças que alinha os olhos. A cirurgia é realizada em um ou ambos os olhos, dependendo do caso. Em crianças, sempre sob anestesia geral. Os olhos nunca são removidos da órbita para realizar cirurgia de estrabismo. A recuperação, em geral, é rápida e a criança pode retornar à escola depois de alguns dias.
A cirurgia de estrabismo corrige o alinhamento ocular, mas não o grau para óculos. Muitas crianças continuarão a usar os óculos depois da cirurgia.
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Dor de cabeça é comum em crianças e na maior parte das vezes não está associada a doenças graves. As causas mais comuns são cefaléia tensional, enxaqueca, sinusite e em algumas vezes, problemas oculares. Episódios de dor podem ser desencadeados por certos alimentos e também por alterações do sono e da rotina habitual da criança. O histórico familiar tem impacto importante nas enxaquecas. Tumor cerebral em criança como causa de dor de cabeça é raro e em geral está associado a sintomas neurológicos adicionais.
Quando o pediatra não encontra causa evidente para a dor de cabeça, uma avaliação oftalmológica deve ser solicitada. A primeira parte do exame avalia a acuidade visual, as pupilas e o alinhamento ocular. A segunda parte envolve a dilatação das pupilas para pesquisa de grau para óculos e exame da retina e do nervo óptico.
Hipermetropia leve é comum em crianças e não costuma causar dor de cabeça. Graus moderados a altos de hipermetropia, por outro lado, exigem esforço da criança para focalizar a imagem e podem causar desconforto ocular, cansaço e cefaléia. A criança que tem miopia, muitas vezes, contrai as pálpebras e os músculos em volta dos olhos e face para ver melhor. Quando essa contração é frequente pode levar a cefaléia. Astigmatismo não corrigido também pode levar a esses sintomas. Nesses casos, óculos para correção de hipermetropia, miopia e astigmatismo aliviam os sintomas.
Durante a leitura ou atividades de perto, os olhos normalmente convergem, ou seja, ficam mais próximos um do outro. Algumas crianças podem apresentar dificuldade para convergir os olhos e isso leva a sintomas de embaçamento visual e cefaléia após períodos prolongados de leitura. Óculos e exercícios prescritos para fazer em casa são necessários em alguns casos para alívio desses sintomas.
Doenças oculares inflamatórias e infecciosas podem causar dor de cabeça. Em geral, esses problemas vem acompanhados de olhos vermelhos e sensibilidade à luz. O tratamento dessas doenças leva à melhora da dor de cabeça.
O aumento da pressão dentro do crânio por aumento de liquido ao redor do cérebro pode causar cefaléia em criança, acompanhada de alteração do nervo óptico, que também pode ser diagnosticada durante o exame oftalmológico.
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É a dificuldade de ver as cores de forma normal por não conseguir distinguir tons de verde e vermelho, principalmente. Geralmente, os dois olhos são comprometidos de forma simétrica e a nitidez da visão não é alterada. Os graus de acometimento são variáveis. A dificuldade em distinguir cores pode ser leve e se manifestar só em condições de má iluminação, ou pode ser acentuada e estar sempre presente. Em alguns casos, a criança não é capaz de ver a diferença entre sapatos marrons e pretos; outras crianças podem ter dificuldade em distinguir as luzes verde, amarela e vermelha do semáforo. Na forma mais grave de deficiência da visão de cores, todas as cores são percebidas como tons de cinza, mas essa é a forma mais rara.
A retina é a parte do olho sensível à luz e é lá que estão os receptores que detectam as cores. O cérebro recebe informação desses receptores e é assim que se dá a percepção de cores. A deficiência ocorre quando esses receptores não funcionam de forma adequada, ou mais raramente, estão ausentes.
Um em cada 10 meninos tem algum grau de deficiência da visão de cores. Já em meninas, esse número cai para menos do que uma em cada 100. Essa diferença acontece porque o defeito genético está localizado no cromossomo X e isso significa que a forma mais frequente de transmissão é de mãe para filho.
A visão de cores é testada durante o exame oftalmológico. O teste para diagnóstico consiste na apresentação de imagens formadas por múltiplos pontos coloridos, onde é possível perceber padrões específicos se a visão de cores estiver preservada. Esses testes são realizados mostrando-se números para crianças maiores ou figuras infantis para crianças pequenas.
Não há tratamento para daltonismo e o quadro normalmente se mantém estável ao longo da vida. Lentes de contato e óculos especiais podem ser usados em alguns casos para tentar ajudar a distinguir algumas tonalidades de cores.
É importante que o sistema educacional e os pais compreendam bem tanto as necessidades especiais, como o que pode ser feito para ajudar no aprendizado das crianças com deficiência da visão de cores. Como a maioria delas vê algumas cores, geralmente elas não sabem que sua percepção das cores é muito diferente das outras pessoas. Para algumas crianças, vermelho, laranja, amarelo e verde representam simplesmente nomes diferentes da mesma cor. O mesmo pode acontecer para roxo, azul e violeta. Os pares de cores mais comumente confundidos são: rosa e cinza, laranja e vermelho, branco e verde, verde e marrom, verde e amarelo, bege e verde.
É uma das principais causas de deficiência visual em crianças, e em parte dos casos é prevenível ou tratável. O cristalino e a córnea são lentes que focalizam as imagens na retina. A catarata decorre da perda de transparência do cristalino, dificultando a formação da imagem. Podem estar presentes ao nascimento (cataratas congênitas) ou podem aparecer no primeiro ano de vida (cataratas infantis). As cataratas infantis apresentam melhor prognóstico visual por permitirem visão nos primeiros meses de vida, o período crítico do desenvolvimento visual.
Sim. Devem ser investigados sorologias para infecções congênitas, teste do pezinho para detecção de alterações metabólicas, história familiar ou de consanguinidade e condições de gestação.
O tratamento vai depender da localização e intensidade da opacificação, das alterações oculares associadas, do déficit visual ocasionado e da lateralidade da catarata.
As cataratas parciais podem apresentar acuidade visual razoável que não justifica os riscos da cirurgia. Nestes casos o uso de midriáticos, oclusão e óculos podem ser recomendados. Nas cataratas totais, ou parciais com baixa acentuada de visão, a cirurgia deve ser realizada ao redor do segundo/terceiro mês de vida.
A cirurgia é bastante complexa e exige do cirurgião alta habilidade e conhecimento. Nas crianças menores é recomendado fazer a lensectomia e remoção parcial do vítreo. O implante de lente intraocular é controverso abaixo de 2 anos de vida. Nas crianças maiores, que irão receber o implante da lente, realizamos a facectomia extra capsular e a vitrectomia parcial. Utilizamos a anestesia geral e a internação é de um dia na maior parte dos casos.
O retorno da visão é gradativo e variável conforme cada criança. Durante o período pós-operatório inicial serão prescritos colírios e medicações orais com antibióticos e anti-inflamatórios para prevenir infecções e reduzir o processo inflamatório facilitando a cicatrização.
Podem surgir complicações como o glaucoma ou opacidades secundárias em eixo visual que devem ser prontamente tratados e em alguns casos com nova cirurgia. No pós operatório tardio a criança deve fazer estimulação visual e combater a ambliopia.
A remoção do cristalino gera uma alta hipermetropia que será corrigida com a prescrição de óculos ou lente de contato nas crianças menores de 2 anos. Crianças operadas mais tardiamente podem receber o implante de lente intraocular na cirurgia primária.
Em alguns casos a acuidade visual final obtida é baixa, fazendo-se necessária a reabilitação visual, estimulação visual precoce e uso de auxílios ópticos (telelupas e lupas manuais) na fase escolar. As cirurgias realizadas precocemente apresentam melhores resultados que as realizadas mais tardiamente.
A cápsula do cristalino pode se tornar opaca e as membranas inflamatórias podem opacificar o eixo visual e prejudicar a visão. Neste caso pode ser necessária novas intervenções.
Existe possibilidade de complicações?
Os pais e familiares devem ser orientados desde o início do tratamento da criança com catarata congênita, que se trata de um tratamento longo, com possibilidades de complicações e alto índice de reoperações, que exige comparecimento do paciente nos seguimentos, para diagnóstico e tratamento das complicações. A reabilitação visual e inclusão nas tarefas diárias, escola e sociedade é o objetivo de todo o tratamento da criança.
A lagrima flui da superfície dos olhos para o saco lacrimal através dos pontos lacrimais e canalículos superior e inferior localizados nas pálpebras. O movimento das pálpebras ao piscar direciona a lágrima, que atinge o ducto naso-lacrimal, que é o ducto que comunica os olhos ao nariz.
É uma obstrução que impede a livre passagem de lágrima dos olhos para o nariz. É causada geralmente por uma membrana que interrompe o fluxo de lágrima na parte final do ducto naso-lacrimal.
Essa membrana deve se abrir normalmente próximo ao momento do nascimento, um pouco antes ou um pouco depois. Aproximadamente 15% dos recém- nascidos tem um atraso na abertura dessa membrana e por isso vão apresentar lacrimejamento em excesso e presença de secreção.
A produção de lágrimas inicia-se na primeira ou segunda semana de vida. Assim, a maioria das crianças com obstrução de via lacrimal congênita começam a lacrimejar em excesso em idade inferior a 1 mês de vida.
Sim. Glaucoma congênito, conjuntivite, lesões na córnea, corpos estranhos e irritantes químicos. O oftalmologista pediátrico vai avaliar se é a obstrução ou outro problema que está causando o lacrimejamento.
Colírios de antibiótico são usados quando há infecção. Massagem da via lacrimal ajuda a prevenir infecção e romper a membrana. A técnica da massagem é orientada pelo médico e pode ser feita em casa. Quando a via lacrimal permanece obstruída até próximo de 1 ano de vida, a membrana deve ser aberta através de um procedimento de sondagem da via lacrimal. Em alguns casos é necessário colocar um tubinho na via lacrimal para que ela não se feche novamente. Raramente é necessária cirurgia mais complexa. As complicações são raras e felizmente aproximadamente 90% dos casos melhoram espontaneamente durante o primeiro ano de vida.
Os olhos vermelhos são uma queixa comum na infância e podem ser causados por diversas condições, desde problemas simples e passageiros até doenças que requerem atenção médica especializada. Conhecer as principais causas ajuda os pais a entenderem quando é hora de procurar um oftalmologista.
A conjuntivite é a causa mais frequente de olhos vermelhos em crianças. Pode ser de origem:
Corpos estranhos, como areia, poeira ou cílios, podem irritar os olhos e causar vermelhidão. Traumas leves durante brincadeiras também são comuns nessa faixa etária.
A inflamação das pálpebras, chamada blefarite, pode causar vermelhidão ocular, crostas nos cílios e desconforto. É importante tratar adequadamente para evitar complicações.
Embora menos comum, a uveíte, uma inflamação interna dos olhos, pode ser uma causa de olhos vermelhos. Está associada a doenças autoimunes e exige avaliação urgente.
O glaucoma é raro, mas pode ocorrer em crianças. Além do olho vermelho, sintomas como lacrimejamento excessivo, sensibilidade à luz e aumento do tamanho do olho são sinais de alerta.
Se os olhos vermelhos vierem acompanhados de dor intensa, alteração na visão, sensibilidade à luz, secreção abundante ou se persistirem é essencial procurar atendimento especializado.
Evite a automedicação e o uso de colírios sem recomendação médica.
Uma avaliação oftalmológica pode identificar a causa exata e prevenir complicações que podem afetar a visão da criança no futuro.
A retina é a camada do fundo do olho que detecta a luz e nos permite enxergar. A retinopatia da prematuridade ocorre quando vasos sanguíneos da retina se desenvolvem de forma anormal durante a terapia necessária para a sobrevivência da criança prematura.
O oxigênio dado à criança e a imaturidade retiniana calculada pelo peso ao nascer e idade gestacional são fatores essenciais para o desenvolvimento da retinopatia. Em nossa experiência, crianças nascidas com peso menor que 1500g têm 30% de chance de apresentar a retinopatia; já se o peso for menor que 1000g, este risco aumenta para 50%. Outros fatores de risco são: síndrome do desconforto respiratório, sepse, transfusões sangüíneas, gestação múltipla, infecções, hemorragia intra-ventricular, persistência de canal arterial e apnéias recorrentes.
Não se conhece nenhuma forma de prevenir, entretanto exames oftalmológicos precoces diagnosticam a doença em fase inicial, quando o tratamento tem melhor resultado. Os neonatologistas estão cientes de que alguns tratamentos são fatores de risco para a retinopatia, mas são estes mesmos tratamentos que fazem com que crianças muito prematuras sobrevivam, e por isso a retinopatia tem se tornado cada vez mais freqüente. O acompanhamento pré-natal é importante para evitar o parto prematuro.
O oftalmologista especializado pode diagnosticar a retinopatia ao fazer o mapeamento da retina na unidade neonatal inicialmente entre 4 e 6 semanas de vida e repetindo o exame conforme necessário.
Ao examinar uma criança pela primeira vez ao redor de 4 a 6 semanas após o nascimento, é difícil prever a visão final. Muitas crianças apresentam regressão espontânea dos vasos anormais sem afetar a visão. Em outras com doença mais grave, hemorragias e cicatrização de tecidos podem levar a distorção ou descolamento de retina e isto pode resultar em perda de acuidade visual de moderada a severa. Felizmente, casos de cegueira completa são raros.
Crianças prematuras tem maior probabilidade de desenvolver erros refrativos e estrabismo, condições que podem ser tratadas precocemente para evitar impactos no desenvolvimento visual da criança. As crianças com perda da visão devem receber um treinamento especial para desenvolver sua visão residual. Existem centros especializados para casos de visão subnormal.
Muitos olhos se desenvolvem bem sem nenhum tratamento. Em casos mais graves, fotocoagulação (laser) é o tratamento de escolha. Quando se trata a área de retina avascular com laser, geralmente os vasos anormais regridem sem tracionar a retina central mais nobre. A visão na maior parte das vezes será boa após o tratamento.
Nos casos mais críticos, como na forma agressiva, em que a doença evolui rapidamente, o uso de anti-VEGF pode ser necessário, especialmente quando as condições clínicas do recém-nascido dificultam o uso do laser. Entre os medicamentos disponíveis, o Lucentis tem sido a escolha preferencial devido ao menor comprometimento sistêmico, mas o Eylia também é uma opção válida, ambos autorizados para uso infantil no Brasil.
Estes casos devem ser acompanhados até que a retina esteja totalmente vascularizada pois existe um retardo neste processo.
Se houver descolamento da retina, será necessária uma cirurgia mais complexa (vitrectomia associada à introflexão escleral), que pode restaurar uma visão limitada. Nestes casos deve ser feito um trabalho precoce e intensivo de estimulação visual após a cirurgia.
Outras complicações como glaucoma, estrabismo e catarata podem necessitar correção cirúrgica tardia.
Exames oftalmológicos regulares são indispensáveis para todas as crianças prematuras, mesmo as que não apresentaram ROP. A recomendação é realizar exames oftalmológicos completos aos 6, 12, 18 e 24 meses, e depois anualmente até os 10 anos de idade, período em que o desenvolvimento visual estará completo.
Crianças com perda visual, programas de estimulação precoce são fundamentais para desenvolver ao máximo a visão residual. Centros especializados podem auxiliar nesses casos.
A saúde ocular do bebê começa antes mesmo do nascimento, durante a gestação. Esse período é crucial para o desenvolvimento de todos os órgãos, incluindo os olhos. Por isso, é fundamental que as gestantes adotem medidas preventivas para proteger a visão do bebê. A seguir, abordamos os cuidados essenciais, com destaque para os riscos associados à síndrome alcoólica fetal e medicamentos que podem afetar o desenvolvimento ocular.
Uma dieta rica em nutrientes é indispensável para o desenvolvimento ocular. A vitamina A, o ômega-3, o zinco e antioxidantes são fundamentais. Alimentos como cenoura, espinafre, peixes de água fria e frutas cítricas devem ser incluídos na dieta.
Além disso, a suplementação de ácido fólico, indicada já no planejamento da gravidez, ajuda a prevenir malformações no sistema nervoso central e nos olhos.
Doenças como toxoplasmose, rubéola, sífilis, citomegalovírus e zika podem causar danos graves à visão, como catarata congênita, retinopatia e microftalmia.
O consumo de álcool durante a gestação é uma das principais causas preveníveis de malformações congênitas, incluindo alterações visuais. A síndrome alcoólica fetal ocorre quando o álcool ingerido pela mãe atravessa a placenta, impactando o desenvolvimento fetal.
Não existe uma quantidade segura de álcool durante a gravidez. A abstinência total é a melhor medida de prevenção.
Alguns medicamentos podem ser teratogênicos, ou seja, capazes de causar malformações fetais, incluindo nos olhos. Sempre consulte o médico antes de usar qualquer medicamento durante a gestação. Abaixo, alguns exemplos:
Por isso, é fundamental evitar medicamentos sem prescrição médica e informar sempre ao obstetra sobre qualquer tratamento em andamento.
Além do álcool e de certos medicamentos, o tabaco é outro vilão. O fumo durante a gravidez está associado a um maior risco de prematuridade, retinopatia da prematuridade e alterações no fluxo sanguíneo para os olhos.
Realizar um pré-natal regular é a principal estratégia para identificar e corrigir fatores de risco. Após o nascimento, o Teste do Olhinho deve ser realizado para garantir o diagnóstico precoce de condições oculares tratáveis.
A visão é essencial para o desenvolvimento global da criança. Adotar esses cuidados durante a gestação é um ato de amor que impacta positivamente a qualidade de vida do bebê.
O retinoblastoma é um tumor maligno raro que se origina nas células da retina, geralmente afetando crianças com menos de 5 anos. Apesar de ser uma doença grave, o diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de cura e preservação da visão.
Os sinais mais comuns do retinoblastoma são:
O diagnóstico é realizado por meio de:
O tratamento depende do tamanho, localização e estágio do tumor, bem como da saúde geral da criança. As abordagens incluem:
1.Quimioterapia
2.Terapia focal
3.Cirurgia (enucleação)
Quanto mais cedo o retinoblastoma for identificado, maiores as chances de salvar o olho e preservar a visão. Além disso, o diagnóstico precoce reduz o risco de disseminação do tumor para outras partes do corpo.
Se você notar qualquer reflexo anormal na pupila ou alterações nos olhos do seu filho, procure imediatamente um oftalmologista. O exame oftalmológico é rápido, indolor e pode salvar vidas.
A conjuntivite é uma inflamação da conjuntiva, a membrana que reveste a parte branca dos olhos e o interior das pálpebras. Em crianças, é uma das causas mais comuns de olhos vermelhos e desconforto ocular. Embora geralmente não seja grave, é importante reconhecer os sinais, entender as causas e saber como tratar ou prevenir.
1.Conjuntivite viral:
2.Conjuntivite bacteriana:
3.Conjuntivite alérgica:
1.Ensine a criança a lavar as mãos com frequência.
2.Evite que ela compartilhe toalhas, travesseiros ou objetos pessoais.
3.Em casos de conjuntivite alérgica, identifique e minimize os fatores desencadeantes, como pólen, poeira ou pelos de animais.
Se os sintomas persistirem por mais de 3 dias, ou se houver piora significativa, procure um oftalmologista. O cuidado adequado garante não apenas a saúde ocular da criança, mas também o bem-estar geral.
A doença caracteriza-se por má formação do seio camerular presente ao nascer, que impede a saída do humor aquoso para as vias de drenagem, acarretando elevação da pressão intra-ocular e alterações secundárias nos segmentos anterior e posterior do olho.
Esta presente ao nascer, mas pode se expressar até o terceiro ano de vida; é pouco mais frequente em meninos e tem herança autossómica recessiva.
O exame oftalmológico deve ser realizado sob anestesia geral o mais precoce possível e se confirmado o diagnóstico, realizar a cirurgia. É muito importante a correção óptica e a estimulação visual no pós operatório.
Além do glaucoma congênito primário existem outros tipos de glaucoma pediátrico como o glaucoma infantil secundário e o glaucoma congénito associado a anomalias do desenvolvimento.
Vale a pena salientar a importância dos glaucomas relacionados ao uso de colírios de corticoides e o glaucoma traumático.
A retina é a camada do fundo do olho que detecta a luz e nos permite enxergar.
Os vasos que nutrem a retina, nesta doença, apresentam uma anomalia vascular que inclue tortuosidade dos vasos, comunicações artério-venosas e retinopatia proliferativa. Alguns vasos apresentam dilatações aneurismáticas isoladas ou em cachos que extravasam líquido e terminam por causar descolamento da retina.
A doença de Coats, também chamada de aneurisma miliar de Leber é relativamente rara e é unilateral em 80% dos casos. Acomete principalmente meninos nas primeiras décadas de vida, é assintomática até que a mácula ( área nobre da retina) seja comprometida.
A etiologia permanece incerta e estudos com microscopia óptica e eletrônica têm mostrado a perda da barreira hemato-retiniana como o defeito básico da doença, levando a anormalidades secundárias, como exsudato intra-retiniano, depósitos lipídicos, cristais de colesterol e hemorragia.
Black et al.sugerem que as Teleangiectasias de Coats são decorrentes de mutações somáticas no gene NDP (relacionado ‘a Doença de Norrie) que resulta na deficiência de importante proteína para o desenvolvimento da vasculogênese normal.
Não se conhece nenhuma forma de prevenir a Doença de Coats.
Externamente o olho apresenta-se normal, não há hiperemia ocular nem dor ou qualquer fenômeno inflamatório, sendo difícil para os familiares e pediatras suspeitarem de alguma alteração retiniana. Exames oftalmológicos preventivos, realizados com 1,3, 5 e 7 anos podem diagnosticar a doença em fase precoce, quando o tratamento tem melhor resultado. Nas fases mais tardias da doença, quando já existe descolamento total da retina é possível ver a pupila branca , ter perda de campo visual e acuidade visual ou apresentar estrabismo.
O tratamento tem por objetivo a obliteração de todas as áreas teleangectásicas retinianas anormais utilizando-se a fotocoagulação com laser. Nas formas onde a exsudação é extensa, deve-se associar a criocoagulação ou mesmo a diatermocoagulação. Os exsudatos duros levam de seis a doze meses para serem reabsorvidos quando os vasos estão obliterados. Se houver recidiva da exsudação, novas sessões de laser devem ser realizadas.
Com o tratamento das área de retina com alteração avascular freqüentemente os vasos anormais regridem sem tracionar a retina central mais nobre. Muitas vezes necessitam repetir o tratamento e a resolução da exsudação retiniana é demorada e nem sempre completa.
O prognóstico visual vai depender do estágio no qual a doença foi diagnosticada e tratada. Mesmo com sucesso cirúrgico, será dependente das lesões retinianas e cerebrais já existentes. Se houver comprometimento macular pela exsudação, a visão central estará comprometida.
As crianças podem apresentar um desenvolvimento visual prejudicado (ambliopia) por apresentarem baixa acuidade visual por longo tempo nos primeiros anos de vida. Mesmo com a doença controlada o olho poderá ter baixa acuidade visual pois o cortex visual terá dificuldade em “reconhecer “ o olho amblíope. O tratamento com oclusão do melhor olho é recomendado nestes casos.
A Doença de Coats pode estar associada a doenças sistêmicas como a retinose pigmentar, alterções vasculares e calcificações cerebrais entre outras. Complicações como glaucoma, estrabismo e catarata podem necessitar correção cirúrgica tardia.
Exames oftalmológicos periódicos serão necessários para avaliar recidivas, possíveis complicações e se a visão está se desenvolvendo normalmente.