OFTALMOLOGIA ADULTO

O que é estrabismo?

É a falta de alinhamento entre os olhos. Pode se manifestar de várias formas: um dos olhos pode estar desviado para dentro, para fora ou no plano vertical. O desvio pode estar sempre presente ou a pessoa pode alternar entre episódios de olhos alinhados e estrabismo. Além disso, o olho que desvia pode ser sempre o mesmo ou pode haver troca entre os olhos.

Por que acontece?

Estrabismo resulta de um problema no controle do movimento ocular. A via responsável por esse controle tem início no cérebro, seguindo pelos nervos e atingindo os músculos dos olhos. Adultos podem ter o estrabismo desde a infância ou podem ter adquirido na vida adulta. Alguns casos adquiridos estão relacionados a outras doenças como diabetes, afecções da tireóide, pressão alta ou doenças neurológicas, que devem ser investigadas. Pode haver um componente familiar, no qual vários membros da família tem um problema semelhante, ou pode acontecer sem nenhum histórico familiar.

Estrabismo pode ser corrigido na vida adulta?

Sim, mesmo na vida adulta, a cirurgia de estrabismo é indicada. Alguns casos podem ser beneficiados por outras opções de tratamento, que incluem óculos com prismas ou injeção medicação nos músculos oculares.

A cirurgia tem finalidade puramente estética?

Não. Estrabismo pode levar a visão dupla incapacitante. Um dos objetivos da cirurgia é corrigir a visão dupla, trazendo conforto e visão de profundidade. Muito importante também é a melhora da qualidade de vida após a correção do estrabismo, com forte impacto nos campos emocional, social e até econômico. Pessoas que foram submetidas a cirurgia de estrabismo, assim como médicos especialistas nesse tratamento percebem claramente os inúmeros benefícios alcançados depois de corrigido o alinhamento dos olhos.

Qual é a idade máxima para a correção de estrabismo?

Não existe idade máxima. A correção pode ser indicada em qualquer idade.

Como é feita a cirurgia?

Uma pequena abertura é feita na conjuntiva (membrana que recobre o olho) para acessar um ou mais dos seis músculos oculares. Os músculos são, então, reposicionados na parede do olho, com procedimentos para fortalecê-los ou enfraquecê-los, de modo a se obter um novo equilíbrio de forças que alinha os olhos. A cirurgia é realizada em um ou ambos os olhos, dependendo do caso. A recuperação, em geral, é rápida com retorno ao trabalho em poucos dias.

A cirurgia de estrabismo corrige também o grau para óculos?

A cirurgia de estrabismo corrige o alinhamento ocular, mas não o grau para óculos. Quem já usa óculos, provavelmente continuará a usá-los após a cirurgia.

 

O que é Catarata senil?

A córnea e o cristalino são lentes que focam a imagem na retina. A catarata decorre da perda de transparência do cristalino, dificultando a chegada de luz à retina, onde se forma a imagem.

Quais os sintomas mais comuns desta doença?

  • O comprometimento da visão  geralmente é lento e progressivo.
  • Visão embaçada / perda da nitidez das imagens.
  • O grau dos óculos muda com frequência.
  • Sensibilidade à luz.
  • Visão de halos ou raios ao redor de focos luminosos.
  • Visão dupla em um dos olhos.
  • As cores tornam-se amareladas.
  • Maior necessidade de luz para leitura.

Existem outras formas de catarata alem da senil?

  •  Sim, temos cataratas em outras condiçoes.
  • Congênitas quando as mães contraem doenças como a rubéola ou toxoplasmose na gestação.
  • Pré -senil associadas ao processo de envelhecimento do cristalino que podem ocorrer em pessoas mais jovens.
  • Adquiridas após trauma ocular ou processos inflamatórios intra-oculares.
  • Algumas doenças sistêmicas como o diabetes, uso frequente de drogas como corticoides e o excesso de exposição aos raios ultra violeta.

É possível tratar a catarata com dieta ou óculos?

Não existem dietas ou óculos que curem a doença. Como durante a evolução da doença o valor dióptrico do cristalino pode mudar, recomenda-se atualizar o grau dos óculos periodicamente.

Quando devemos optar pela cirurgia de catarata?

Atualmente já não é mais necessário esperar até que a “catarata fique madura” para operar. Os avanços tecnológicos como o implante de lentes intra-oculares dobráveis e técnicas de facoemulsificação com pequenas incisões, tornaram a cirurgia de catarata um dos procedimentos mais bem sucedidos da medicina. Recomendamos a cirurgia quando o paciente encontrar dificuldades para realizar atividades cotidianas (como dirigir, atravessar ruas ou cozinhar) e esta necessidade visual é variável com a atividade exercida pelo paciente.

O olho é um órgão singular que muitas vezes reflete manifestações de doenças sistêmicas, sendo crucial para o diagnóstico precoce e o manejo multidisciplinar. Doenças endócrinas, cardiovasculares, hematológicas, reumatológicas, infecciosas, dermatológicas e neurológicas frequentemente apresentam repercussões oculares que podem comprometer a visão e, em casos graves, a qualidade de vida do paciente.

Entre as doenças reumáticas, destacam-se alterações oculares específicas que variam em frequência e gravidade de acordo com a patologia subjacente:

  • Artrite Reumatóide do Adulto: Comumente associada a esclerite, uma inflamação dolorosa e potencialmente destrutiva da esclera, e a ceratoconjuntivite seca, que resulta em desconforto ocular e danos à superfície ocular.
  • Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES): Caracterizado por vasculite da retina e do nervo óptico, com risco de perda visual severa, além de ceratoconjuntivite seca.
  • Artrite Reumatóide Juvenil (ARJ): Uma das causas mais frequentes de uveíte anterior crônica na infância, frequentemente associada a complicações como ceratopatia em faixa, catarata e edema macular cistoide.
  • Doença de Wegener e Poliarterite Nodosa: Condições vasculíticas que podem causar esclerite, ceratite e alterações orbitárias graves, requerendo manejo imediato para preservar a integridade ocular.
  • Arterite Temporal: Um tipo de vasculite que afeta preferencialmente idosos, com risco elevado de neurite óptica isquêmica inflamatória, frequentemente levando à perda visual súbita e irreversível se não tratada prontamente.

Reconhecer essas manifestações oculares é essencial para o manejo integral das doenças reumáticas, garantindo não apenas o controle da inflamação sistêmica, mas também a preservação da visão. O tratamento precoce e a abordagem multidisciplinar, envolvendo reumatologistas e oftalmologistas, são cruciais para minimizar complicações e otimizar os resultados.

A utilizaçào do laser em oftalmologia foi um dos mais importantes avanços tecnologicos desta última decada. O termo LASER é a abreviatura de “Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation”.

Nos lasers mais comumente utilizados, uma corrente elétrica atravessa um tubo contendo varios tipos de gases ( argonio, kriptonio ) ou um material sólido (neodimio-YAG )produzindo energia. Um feixe de luz é emitido e quando focado por um microscopio, produz coagulação, corte ou dissolve certos tecidos do olho. Varios tipos de laser oftalmológicos são utilizados para tratar diferentes tipos de doenças oculares.

Quais doenças podem ser tratadas com o laser?

Doenças da retina

  • Rasgos de Retina que podem levar a descolamento de retina,são tratados com laser de argônio. Os sintomas mais frequentes dos rasgos retinianos, são os flashs luminosos e as moscas volantes. A acuidade visual pode ou não estar comprometida. Nem todos os rasgos retinianos podem ser tratados com laser.Se o descolamento de retina já aconteceu, a conduta deve ser cirúrgica, podendo ou não se associar o endolaser.
  • Retinopatia Diabética é a maior causa de cegueira. A visão pode não estar comprometida no inicio da doença e somente um exame periódico permite a detecção e tratamento da doença em fase ideal. Muitas vezes fotos com contraste (angiofluoresceinografia) são necessárias para determinar as áreas,que receberão as aplicações de laser. Nesta doença além do laser pode ser usado drogas antiangiogenicas
  • Oclusão de Veia Central da Retina é mais comum em pessoas idosas, com hipertensão arterial, doenças hematológicas, diabetes e glaucoma. A perda súbita de visão é o principal sintoma. O laser poderá melhorar a visão, porém não se deve esperar que volte ao normal. Nas formas isquêmicas é utilizado para prevenir o glaucoma neovascular e a perda do olho. Nesta doença além do laser pode ser usado drogas antiangiogenicas

Há outras doenças retinianas como a coroidopatia serosa central, a doença de Eales e alguns tumores que podem ser tratadas com sucesso com os lasers.

A retina é um tecido fino e transparente que reveste internamente o olho. Tem a função de transformar a energia luminosa que penetra no olho em impulso elétrico, que é conduzido pelo nervo óptico até o cérebro, onde é interpretado como visão.

O Descolamento de retina (DR) afeta uma em cada dez mil pessoas da população. É uma doença que aparece com maior freqüência em pessoas que tem miopia ou historia familiar de descolamento de retina. Um trauma direto ao globo ocular também pode causar descolamento de retina.
Se não tratado precocemente, o DR pode levar a uma perda parcial ou total da visão.

Como é feito o Diagnostico?

A retina descolada é visualizada através do Mapeamento de Retina ou Biomicroscopia de Fundo de Olho. Quando o fundo de olho não é visível, pode-se utilizar o ultra-som.

Os descolamentos de retina podem ser:

  • Regmatogênicos (DRR) causado pela presença de roturas ou buracos na retina
  • Tracionais (DRT) como por exemplo na retinopatia diabética proliferativa, retinopatia falciforme, retinopatia da prematuridade, toxocaríase e trauma entre outras.
  • Exsudativos (DRE).
    São algumas das causas de descolamento de retina seroso:

    – Casos de tumores (melanoma de cororide, metástases etc)
    – Uveite (Síndrome de Vogt-Koyanagi-Harada, esclerite posterior, etc)
    – Anomalias congênitas como a fosseta de nervo óptico
    – Corioretinopatia serosa central

A maioria dos descolamentos de retina são regmatogênicos em áreas de degenerações retinianas ou com roturas causadas pela tração do vítreo sobre a retina.

O vítreo é uma substância gelatinosa que preenche o interior do globo ocular e fica firmemente aderido à retina. Com o envelhecimento ou em algumas condições especiais como as altas miopias ocorrem alterações no vítreo e sua separação da parede da retina pode levar a formação de roturas em pontos de maior aderência.

O DRR geralmente é precedido por flashs luminosos, moscas volantes e sombras se movimentando no campo visual. A perda de campo visual parcial ou total ocorre com o DR. Pode apresentar um aumento das moscas volantes por sangramentos ou dispersão de pigmentos.

Tratamento

O tratamento do DRR é cirúrgico. A técnica utilizada vai depender de cada caso. Alguns casos são resolvidos com a introflexão escleral associada a criocoagulação da retina ou diatermia para fazer a aderência entre a retina e coroide ao redor do rasgo que motivou o DR. Outros casos necessitam de vitrectomia , endolaser ,gazes expansores e /ou óleo de silicone, associados à introflexão escleral .

Qualquer a técnica utilizada, é importante que a cirurgia seja realizada o mais breve possível, pois a retina descolada caminha para a atrofia.

Quando o rasgo retiniano ou degeneração da retina é diagnosticada antes da retina descolar, é possível fotocoagular as lesões com laser e evitar o descolamento da retina.

O sucesso cirúrgico e a recuperação da visão nem sempre é de 100% , mas o não tratamento cirúrgico em pouco tempo levará a atrofia da retina inviabilizando a futura cirurgia.

No pós operatório é comum o paciente se tornar ou aumentar sua míopia e/ou astigmatismo. Uma vez a retina aplicada , a inflamação resolvida , a visão tende a melhorar e chegar bem próximo do que enxergava antes do descolamento de retina ocorrer.

O tratamento do DRT deve ser precoce e necessita vitrectomia , endolaser ,gazes expansores e /ou óleo de silicone, muitas vezes associados à introflexão escleral.

O tratamento do DRE geralmente é clínico, envolvendo o tratamento da sua causa.

A conjuntiva é uma membrana fina e transparente que recobre a parte interna da pálpebra e a anterior do globo ocular até o limbo corneano (transição entre a córnea e esclera). A conjuntiva produz muco para lubrificar e cobrir a superfície do olho.

O termo CONJUNTIVITE é muito amplo, englobando qualquer inflamação da conjuntiva. A conjuntivite é a causa mais comum de olho vermelho. Para efeito didático pode ser classificada sob diversos aspectos:

  • Faixa etária – neonatal, pediátrica e do adulto.
  • Mecanismo responsável pela inflamação – alérgica, bacteriana, viral, fúngica e irritativa ou inespecífica.
  • Apresentação e tempo de evolução – agudas, subagudas e crônicas.
  • Tipo de secreção – serosa, mucosa, purulenta e pseudomembranosa.
  • Comprometimento de estruturas vizinhas concomitantes – ceratoconjuntivite (quando compromete a córnea) e blefaroconjuntivite (quando compromete o bordo palpebral).

Quais são os sinais e sintomas de conjuntivite?

Os principais sintomas são: desconforto ocular, ardor, sensação de corpo estranho, fotofobia, lacrimejamento e secreção e poderão variar em intensidade conforme a etiologia. Raramente se observa baixa acuidade visual.

Os sinais mais freqüentes são:  hiperemia (maior nos fundos de saco), edema, secreção e alterações locais como papilas, folículos, hemorragias etc.

As infecções bacterianas podem ser agudas com abundante secreção mucopurulenta ou crônicas com pouca ou nenhuma secreção exceto algumas crostas nos cílios pela manhã.

As viroses são causas comuns de conjuntivite. Algumas viroses se acompanham de faringite, coriza, um ou os dois olhos vermelhos, com intenso lacrimejamento e fotofobia.

As alergias frequentemente causam vermelhidão, prurido e secreção aquosa, mas podem se apresentar apenas com olho vermelho e edema de conjuntiva. Na conjuntiva tarsal podem ser observadas papilas tarsais.

Os irritantes como a fumaça ou poeira podem causar conjuntivite. Qualquer tipo de conjuntivite é agravado por olho seco.

Os irritantes como a fumaça ou poeira podem causar conjuntivite.

Qualquer tipo de conjuntivite é agravado por olho seco.

Existe alguma doença similar que possa ser confundida com conjuntivite ou ser diagnosticada como conjuntivite?

Nem todo olho vermelho é conjuntivite. Muitas outras patologias como o glaucoma, as úlceras de córnea e as inflamações intraoculares ou uveites, podem também apresentar olho vermelho e quando não diagnosticadas e tratadas em tempo podem causar perdas de visão.

É recomendável que todo olho vermelho seja avaliado por oftalmologista, especialmente se apresentar também dor, piora da acuidade visual ou fotofobia.

Qual o tempo de duração da doença?

Depende da etiologia e da intensidade do agente agressor.

As virais apresentam um curso mais prolongado podendo em alguns casos durar meses.

As bacterianas, alérgicas e irritativas em geral se resolvem em 5 a 10 dias.

Como se dá o contágio?

Depende da etiologia. As conjuntivites bacterianas podem ser contagiosas através de lenços ou toalhas contaminadas com a lágrima do paciente.

As virais frequentemente apresentam comprometimento sistêmico e têm a mesma transmissão do quadro viral.

Quais são os cuidados que devem ser tomados?

Lavar as mãos com frequência, separar toalhas, travesseiros e objetos de uso comum.

Quando tempo a criança/ adulto tem que ficar longe de suas atividades?

Nas virais ao redor de 7 dias. Nas outras formas não há necessidade de afastamento e sim de cuidados de higiene.

Existe algum período ou estação do ano que favoreça o aparecimento da doença ? Por que ?

No Brasil as conjuntivites sazonais não são marcadas mas conjuntivites alérgicas do tipo primaveril são mais frequentes nesta época do ano pelo pólen das plantas.

Quais são as complicações que a conjuntivite pode causar se não for tratada adequadamente?

Em alguns casos é auto limitada e não deixam lesão mesmo sem tratamento, em outros casos se acompanham de ceratites e podendo levar a cicatrizes em conjuntiva e córnea, mas na maior parte das vezes se tornam conjuntivites crônicas.

Qual é o tratamento?

Depende da etiologia. Nas bacterianas colírios antibióticos, nas virais e irritativas usa-se colírio lubrificante e nas alérgicas os colírios antialérgicos e lubrificantes.

A perda da visão, seja transitória ou permanente, é um sintoma preocupante que exige atenção imediata e avaliação oftalmológica detalhada.

Identificar corretamente as causas e características desse sintoma é essencial para um diagnóstico precoce, tratamento adequado e prevenção de complicações que podem levar à cegueira.

As causas da perda visual variam desde condições temporárias e reversíveis até situações graves e potencialmente irreversíveis.

A classificação em relação à duração e presença de dor é um passo fundamental para guiar a abordagem clínica e identificar a origem do problema, que pode estar associada a doenças oculares, sistêmicas ou neurológicas.

1.Transitória – Acuidade visual retorna em até 24 horas

  • Dura Poucos Segundos: Papiledema.
  • Persiste por Poucos Minutos: Amaurose fugaz, geralmente causada por vasoespasmo transitório.
  • Unilateral: Quando há comprometimento da artéria central da retina ou artéria oftálmica.
  • Bilateral: Relacionada à insuficiência da circulação da artéria vertebrobasilar.
  • Persiste por 10 a 60 minutos: Migrânea é a causa mais comum.
  • Outras causas menos frequentes incluem: neurite óptica isquêmica, síndrome isquêmica ocular (doença oclusiva da carótida), arterite de células gigantes, lesões do sistema nervoso central, drusas do nervo óptico, aumento súbito da pressão arterial e glaucoma.

2.Perda de Acuidade Visual que Dura Mais de 24 Horas

  • Súbita e Sem Dor: Condições como oclusão da artéria central da retina e seus ramos, oclusão da veia central da retina e seus ramos, neurite óptica isquêmica, hemorragia vítrea e descolamento de retina. Importante notar que neurite óptica geralmente apresenta dor ao movimento ocular.
  • Gradual e Sem Dor: Perda visual que persiste por semanas, meses ou anos. Inclui doenças como catarata, erros de refração, glaucoma de ângulo aberto, doenças crônicas da retina (degeneração macular senil, retinopatia diabética), doenças crônicas ou distrofias da córnea e atrofia óptica associada a doenças neurológicas.
  • Dolorosas: Incluem glaucoma agudo, uveíte, neurite óptica e doenças corneanas.

A categorização desses quadros clínicos é um passo essencial no diagnóstico diferencial e no planejamento terapêutico, reforçando a importância da avaliação oftalmológica imediata diante de qualquer perda visual.

O que é?

A Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) é uma das principais causas de perda de visão central em pessoas com mais de 50 anos. Ela afeta a mácula, região central da retina responsável pela visão detalhada, essencial para tarefas como leitura, escrita e reconhecimento de rostos.

Quadro Clínico

A DMRI apresenta duas formas principais:

1.Forma seca (atrófica):

  • Representa cerca de 80-90% dos casos.
  • Evolui de forma lenta e progressiva.
  • Caracteriza-se pelo acúmulo de depósitos chamados drusas sob a retina e pelo afinamento do tecido macular.
  • Os pacientes frequentemente percebem uma leve turvação na visão central que pode progredir para uma mancha escura.

2.Forma úmida (exsudativa):

  • Menos comum, porém mais grave.
  • Envolve o crescimento anormal de vasos sanguíneos sob a mácula (neovascularização), que podem vazar sangue e fluido.
  • O sintoma clássico é a visão distorcida (metamorfopsia), onde linhas retas parecem onduladas. Pode haver rápida perda da visão central se não tratada.

Quais os Fatores de Risco?

Os principais fatores de risco incluem idade avançada, histórico familiar de DMRI, tabagismo, exposição prolongada à luz UV, obesidade e doenças cardiovasculares. A deficiência de antioxidantes na dieta também pode estar associada.

Diagnóstico

O diagnóstico é realizado com exames detalhados da retina, incluindo:

  • Exame de fundo de olho: Identificação de drusas e alterações maculares.
  • Tomografia de Coerência Óptica (OCT): Avalia o edema, afinamento ou descolamento da retina.
  • Angiografia com fluoresceína ou indocianina verde: Detecta neovascularização.
  • Angiotomografia: Exame que combina ao mesmo tempo a angioflueresceina e a tomografia de coerencia optica

Tratamento

1.Forma seca:

  • Não há cura, mas o progresso pode ser retardado com suplementação de antioxidantes e zinco, conforme demonstrado pelo estudo AREDS 2.
  • Manter uma dieta rica em folhas verdes, peixes e alimentos ricos em luteína e zeaxantina é recomendado.
  • Existem estudos promissores com o Valeda Light Delivery System que Utilizando a técnica de fotobiomodulação (FBM), o Valeda emite luzes de comprimentos de onda específicos (590, 660 e 850 nm) diretamente nas áreas afetadas da retina. Essas luzes estimulam a função celular, promovendo a regeneração das células danificadas.

 2. Forma úmida:

  • Injeções intravítreas: Anti-VEGF (fator de crescimento endotelial vascular) são a base do tratamento. Essas medicações (ex.: bevacizumabe, ranibizumabe, aflibercepte) reduzem o crescimento anormal dos vasos sanguíneos e estabilizam a visão.
  • Terapia fotodinâmica: Utilizada em alguns casos específicos, com uso de luz para ativar um medicamento aplicado na veia, causando o fechamento dos vasos anormais.

A DMRI não causa cegueira total, pois a visão periférica geralmente é preservada. No entanto, sua forma avançada pode impactar significativamente a qualidade de vida. A detecção precoce e o tratamento adequado são essenciais para preservar a visão e proporcionar maior autonomia aos pacientes.

Caso apresente sintomas como visão embaçada ou distorcida, procure um oftalmologista especializado em retina o quanto antes.

o que é?

O glaucoma é uma neuropatia óptica progressiva caracterizada por lesão do nervo óptico, frequentemente associada ao aumento da pressão intraocular (PIO), levando à perda progressiva do campo visual. É uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo.

Tipos de Glaucoma

1.Glaucoma Primário de Ângulo Aberto (GPAA)

  • Tipo mais comum, geralmente assintomático nos estágios iniciais.
  • Ocorre devido a uma disfunção na drenagem do humor aquoso na malha trabecular.
  • A perda visual é insidiosa e pode ser detectada apenas em exames oftalmológicos.

2.Glaucoma de Ângulo Fechado (GPAF)

  • Decorre do fechamento anatômico do ângulo da câmara anterior, impedindo a drenagem do humor aquoso.
  • Pode ocorrer de forma crônica ou aguda (ataque de glaucoma), com dor ocular intensa, halos coloridos, midríase fixa e hiperemia ocular.

3.Glaucomas Secundários

Causados por outras doenças oculares ou sistêmicas, como uveítes, trauma ocular, uso prolongado de corticoides e diabetes.

Quadro Clínico

  • Na maioria dos casos, a doença progride de forma silenciosa, sem sintomas iniciais perceptíveis.
  • O paciente pode notar perda progressiva da visão periférica, levando à visão tubular nos estágios avançados.
  • No glaucoma agudo de ângulo fechado, os sintomas são súbitos e incluem:
  • Dor ocular intensa
  • Visão turva
  • Náuseas e vômitos
  • Midríase fixa e hiperemia ocular

Diagnóstico

O diagnóstico é feito por meio de exames oftalmológicos:

  • Tonometria: mede a pressão intraocular
  • Fundoscopia: avalia o nervo óptico (excavação aumentada)
  • Campimetria: analisa a perda do campo visual
  • Gonioscopia: avalia o ângulo da câmara anterior
  • OCT de nervo óptico: detecta alterações estruturais precoces

Tratamento Clínico

  • Colírios hipotensores oculares.
  • Uso sistêmico de inibidores da anidrase carbônica (acetazolamida) em casos de crise aguda

Tratamento Cirúrgico

  • Trabeculoplastia a laser (para GPAA): melhora a drenagem do humor aquoso
  • Iridotomia a laser (para GPAF): cria um orifício na íris para facilitar o fluxo do humor aquoso
  • Cirurgia filtrante (trabeculectomia): cria uma via alternativa para a drenagem do humor aquoso
  • Dispositivos de drenagem (válvulas de Ahmed ou Molteno) em casos refratários

Conclusão: O glaucoma é uma doença crônica e progressiva que exige diagnóstico precoce e acompanhamento contínuo. A adesão ao tratamento é fundamental para preservar a visão do paciente. Como é assintomático nos estágios iniciais, recomenda-se que todas as pessoas acima de 40 anos realizem exames oftalmológicos periódicos, especialmente se houver fatores de risco como histórico familiar, alta miopia, diabetes ou uso crônico de corticoides.